quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Allison Ambrósio declama bela poesia



Tive o privilégio de conhecer este ser humano que realmente exalou Jesus em sua vida...Tamanha coerência, alegria, humanidade e simplicidade...Ele se foi, mas se plantou em muita, muita gente mesmo!!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Sonho azul


...E te prometo que depois no fim de tudo, na quitanda da esperança eu te compro um sonho de açúcar mascavo embrulhado num papel de seda azul...
(J.A)



domingo, 6 de fevereiro de 2011

No mais íntimo momento de mim...










Minha fala é como o mar, quem mergulha nela,
aprende a me ver dentro dela.
Escrever na Areia,
contar Estrela,
Significante pra mim.

E como a onda que rasga todo o mar,
me rasguei de tudo o que vivi,
e no mais íntimo momento de mim...
Encontrei todo amor,
dele vem o saber.


Kim (banda Catedral)

Catedral 20 anos - tchau



" Quero andar nas ruas e sentir frio...no calor quero estar sozinho..."

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

(IN)CONSEQUËNCIA X CONSEQUËNCIA

Sabe, as vezes o óbvio é tão óbvio que  passa desapercebido...
As escrituras sagradas dizem que "tudo o que o homem plantar, isto ele colherá" ; interessante que mesmo aqueles que não concordam com esta referência certamente afirmarão que as conseqüência de nosso viver são frutos de nossas escolhas num dado momento de nossa existência...Pois bem, numa realidade tão marcada pelo hedonismo há de se refletir muito sobre atitudes e posturas, ônus e bônus de nossas escolhas...
Uma jaqueira enquanto ainda jovem levará certo tempo para a hora da colheita, entretanto, nunca produzirá acerolas, nunca!
Nossas escolhas e ações falam muito mais alto que qualquer discurso, o que fica em nosso imaginário é a maneira coerente de se viver a vida(para alguns o conceito de viver poderia aqui ser melhor discutido...) 
Para aqueles que entendem o conceito de viver como crescimento e amadurecimento(EVOLUÇÃO), TORNAR-SE HUMANO, a reflexão e a atitude ponderada faz toda a diferença nos momentos caóticos ou não...
No mundo adulto o egoísmo vai embora, uma vez que o EGOísmo é característica infantil,maternal...e finalmente parece que vamos compreendendo a palavra amar que significa dar-se, entregar-se, solidarizar-se, abnegar-se(algumas vezes),se colocar no lugar do outro. Até que em fim...estamos evoluindo, mas isto só ocorre no mundo ADULTO!
É preciso enfrentar a dor do crescimento ao invés de correr dela através de tantos e inúmeros artifícios hedônicos(acabei de inventar esta palavra), e a partir daí VIVER e colher os frutos ou as conseqüências de uma vida que valeu a pena, ao olharmos pra nossa trajetória.
Caso contrário envelheceremos insistindo em sermos bebês/adolescentes (não há nada mais ridículo) e choraremos o leite derramado de uma vida VAZIA, ÔCA E INCONSEQÜENTE.

Karla Morgana.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Xerazade, sob o olhar de Rubem Alves


Um sultão, descobrindo-se traído pela esposa a quem amava perdidamente, toma uma decisão cruel. Não podia viver sem o amor de uma mulher. Mas também não podia suportar a possibilidade da traição. Resolve, então, que iria se casar com as moças mais belas dos seus domínios, mas depois da primeira noite de amor, mandaria decapitá-las. Assim o amor se renovaria a cada dia em todo seu vigor de fogo impetuoso, sem nenhum sopro de infidelidade que pudesse apagá-lo. Espalham-se logo, pelo reino, as notícias das coisas terríveis que aconteciam no palácio real: as jovens desapareciam logo depois da noite nupcial. Xerazade, filha do vizir, procura então o seu pai e lhe anuncia sua espantosa decisão:
desejava tornar-se esposa do sultão. O pai, desesperado, lhe revela o triste destino que a aguardava, pois ele mesmo era quem cuidava das execuções. Mas a jovem se mantém irredutível.
A forma como o texto descreve a jovem Xerazade é reveladora. Quase nada diz sobre sua beleza. Faz silêncio total sobre o seu virtuosismo erótico. Mas conta que ela lera livros de toda espécie, que havia memorizado grande quantidade de poemas, e narrativas, que decorara os provérbios populares e as sentenças dos filósofos.
E Xerazade se casa com o sultão. Realizados os atos do amor físico que acontecem nas noites de núpcias, quando o fogo do amor carnal já se esgotara no corpo do esposo, quando só restava esperar o raiar do dia para que a jovem fosse sacrificada, ela começa a falar. Conta histórias. Suas palavras penetram os ouvidos vaginais do sultão. Suavemente, como música. O ouvido é feminino, vazio que espera e acolhe, que se permite ser penetrado. A fala é masculina, algo que cresce e penetra nos vazios da alma. Segundo antiquissima tradição,
foi assim que o deus humano foi concebido: pelo sopro poético do Verbo divino penetrando os ouvidos encantados e acolhedores de uma Virgem.
O corpo é um lugar maravilhoso de delícias. Mas Xerazade sabia que todo amor construído sobre as delícias do corpo tem vida breve. A chama se apaga tão logo o corpo se tenha esvaziado do seu fogo. O seu triste destino é ser decapitado pela madrugada: não é eterno, posto que é chama. E então, quando as chamas dos corpos já se haviam apagado, Xerazade sopra suavemente. Fala. Erotiza os vazios adormecidos do sultão. Acorda o mundo mágico da fantasia. Cada estória contém uma outra, dentro de si, infinitamente. Não há orgasmo que ponha fim ao desejo. E ela lhe parece bela, como nenhuma outra.
Porque uma pessoa é bela, não pela beleza dela, mas pela beleza nossa que se reflete nela…
Conta a história que o sultão, encantado pelas estórias de Xerazade, foi adiando a execução, por mil e uma noites, eternamente e um dia mais.
Não se trata de uma estória de amor, entre outras. É, ao contrário, a estória do nascimento e da vida do amor. O amor vive neste sutil fio de conversação, balançando-se entre a boca e o ouvido. A Sônia Braga, ao final do documentário de celebração dos 60 anos do Tom Jobim, disse que o Tom era o homem que toda mulher gostaria de ter. E explicou: “Porque ele é masculino e feminino ao mesmo tempo…” O segredo do amor é a androgenia: somos todos homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo. É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre dentro da gente. Ouvir em silêncio. Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões. Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida. Alfange que decapita. Há pessoas mais velhas cujos ouvidos ainda são virginais: nunca foram penetrados. E é preciso saber falar. Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir. E, sobretudo, os que se dedicam à difícil arte de adivinhar: adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro.